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Nunca ousei desenhar minha mãe (até agora). Tinha medo de não conseguir retratá-la como gostaria e das pessoas dizendo: _ Nossa! Não parece nem um pouco com ela...Ainda bem que superei tudo isso e hoje me sinto à vontade para desenhá-la da maneira que quero, como eu a via e como ainda a vejo em meus sonhos. Minha mãe não está mais aqui há 24 anos, e numa dessas coincidências do universo acabei descobrindo que minha mãe, Dona Geni (que detestava o seu nome por causa da música– ah! se ela soubesse o quão grandiosa era a Geni do Chico!), morreu no mesmo dia que Frida Kahlo (13 de julho)...então resolvi retratá-la como uma menina-mineira-cortadora-de-cana-mexicana-frida! Minha mãe tinha uma perna mais curta que a outra (pouca coisa, mas eu sabia). Teve um chimpanzé de estimação quando morava em um sítio nos recônditos de Minas Gerais e era brava como ela só. Mas ela tinha esse olhar de criança, pedindo carinho, profundo e indecifrável! Minha mãe era forte e não sabia!